Uma realidade que infelizmente é incontestável nos dias de hoje é que nossos rios/mares/canais estão menos piscosos que alguns anos atrás.

Estórias de grandes peixes e lutas sensacionais são cada vez mais raras por diversos motivos: a pesca profissional, agressões ao meio ambiente em diversas formas(poluição, desmatamento, queimadas...), mas a pesca amadora também tem sua parcela de culpa.

Corrigir todos os problemas é impossível para nós pescadores, entretanto, acredito que a solução de problemas complexos como este, começam com pequenos atos.

Por que pescar e soltar? Aparentemente parece um contra-senso um pescador que solta um peixe e muitas pessoas não entendem esse gesto, mas se você começar a pensar na pesca não como um modo de subsistência mas sim como um esporte, um lazer, uma recreação, aí sim pescar e soltar faz sentido.

Soltando os peixes você estará possibilitando que o mesmo seja capturado por outro pescador, proporcionando tanta emoção quanto esse peixe proporcionou para você. Além disso, dá a ele a chance de se reproduzir, aumentando a população local, o que resulta também no aumento no tamanho médio dos peixes.

Por que os ribeirinhos, as empresas e o governo deveriam adotar essa idéia?

Você já pensou quanto vale um peixe vivo? Se tomarmos por exemplo casos de países que criaram dispositivos (leis) regulamentando e visando a pesca esportiva e o retorno que eles alcançaram(ganharam), podemos perceber claramente que estamos perdendo dinheiro. A pesca nos EUA, por exemplo, movimenta bilhões de dólares(em torno de 40bi), cria milhões de empregos diretos e indiretos com o turismo e ainda promove o desenvolvimento das indústrias de equipamentos. Uma pesquisa americana diz que um peixe vivo gera 4 vezes mais receita do que um peixe morto, o que não é difícil de entender... quanto um pescador gasta com equipamentos, refeição, acomodação, transporte, etc... numa pescaria???

O Brasil possui potencial para ser o maior pólo de eco-turismo do mundo pois temos as maiores reservas a Amazônia e o Pantanal, mas nossa receita é insignificante. Enfim, todos ganham com o pesque e solte, a indústria turística, o governo, e nós pescadores com rios cada vez mais piscosos.


Regras simples que devemos seguir para minimizar a mortalidade dos peixes após a soltura
Se possível, mantenha o peixe dentro d'água, durante a tarefa de remoção os anzóis. Utilize alicates apropriados para executar tal tarefa. Se o anzol estiver fisgado profundamente o melhor a fazer é cortar a linha. Os ácidos estomacais irão dissolver o anzol em pouco tempo.

Usar equipamento apropriado ao porte do peixe: Quando fisgamos um peixe é recomendável trazê-lo o mais breve possível para terra ou barco. Usar equipamento leve, pode tornar a batalha entre o pescador e o peixe mais emocionante, entretanto quanto maior for o tempo de duração desta luta, mais estressado ficará o peixe, e ele poderá morrer ao ser solto devido ao acumulo de ácido láctico liberado na musculatura.

Manuseie o peixe o mínimo possível, com as mão molhadas e o mais gentilmente possível, isto ajuda a manter o muco de proteção que recobre todo o corpo e que protege o animal contra infecções. Evite tocar nas branquias pois é uma região vital e extremamente sensível.

Antes de liberar o peixe, verifique as suas condições e mantenha-o na água durante alguns instantes até que ele saia nadando por suas forças.

Cuidados básicos de manuseio e liberação
A prática do pesque e solte é comprovadamente eficaz, os índices de sobrevivência variam de acordo com a espécie, mas quando adotamos alguns cuidados básicos essa taxa chega ser de 92% de sobrevivência pós-captura e devolução.


Equipamento equilibrado
Estudos americanos indicam que os fatores que mais causam a morte do peixe são o stress provocado pela briga, ferimentos em órgãos vitais e o tempo de liberação do peixe.

Duas coisas são pressupostos básicos da pesca esportiva: a pesca deve ter emoção e não estressar em excesso o peixe durante a briga. A palavra-chave é equipamento equilibrado. Ou seja, se pescarmos com equipamento muito pesado não haverá emoção, por outro lado, se aliviarmos demais o material a briga pode ser longa demais e o peixe chegar a tal ponto de desgaste que sua soltura seja comprometida. Nenhum dos dois extremos é esportivo.

O "stress" é causado pelo acúmulo de ácido lático nos tecidos musculares do peixe devido um esforço físico acima de suas capacidades.


Tempo fora da água
Quanto menor for o tempo de permanência do peixe fora da água, maior será a garantia de sua sobrevivência. Evidentemente, algumas espécies são mais resistentes do que outras, mas o que deve sempre valer é a regra do bom senso.


Manuseio do peixe
Ao manusear o peixe devemos estar sempre com as mãos molhadas e sempre que possível evitar de tocar o corpo do peixe, pois isso retira a mucosa, substância importante como defesa contra infecções e bactérias. Nunca envolva o peixe com um pano ou outro material. A melhor posição para segurar o peixe embarcado é na horizontal. Um outro ponto de fundamental importância para sobrevivência em relação ao manuseio é o de nunca tocar as guelras do peixe, pois esses tecidos são extremamente finos e delicados e qualquer lesão pode prejudicar a respiração do peixe. Devemos evitar também a todo custo a queda do peixe, pois seus órgãos internos são frágeis.
O uso de equipamentos como o passaguá, o alicate de contenção e o bicheiro podem ser empregados desde que corretamente utilizados.

Soltando o peixe
O ato de colocar o peixe na água deverá ser cercado de alguns cuidados. É importante não jogar o peixe na água de qualquer forma. Quando jogado, o impacto pode causar também alguma lesão nos órgãos internos como num tombo.
O mais recomendável é coloca-lo na água delicadamente e mantê-lo parado até que ele por suas próprias forças procure se soltar. Cansado, muitas vezes ele se torna uma presa fácil para outros predadores. Deve-se evitar o movimento para frente e para trás, pois esse movimento em nada ajuda sua reoxigenação e ainda aumenta o stress. Procure também soltar o peixe sempre que possível no mesmo local da captura.